quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

vinte e três e um puzzle



Quando uma pessoa tem consciência e é aventureira é capaz de quebrar barreiras de preconceitos e partir à descoberta. Tenho uma vaga ideia desde as nossas primeiras trocas de conversas, lembro-me perfeitamente da primeira vez que te liguei, não esqueço as horas diárias que passamos agarrados ao telemóvel, e nem acredito que pela primeira vez marcas-te presença na minha vida. Mas não foi esta a primeira vez em que começas-te a fazer parte da minha, acho que isso já aconteceu à algum tempo. Se por vezes nos sentimos com a sensação de partilhar com as pessoas presentes no nosso dia-a-dia, os laços que criamos com pessoas que por uma razão ou outra entram no nosso dia-a-dia sem nos apercebemos, é normal que ao inicio o preconceito surja. Principalmente quando duas pessoas com uma diferença de oito anos, que nunca se viram na vida, como é que é possível ser só a criação de um novo laço? À primeira vista, pensa-se que das duas uma: ou é pedófilo, ou é solitário. E por incrível que pareça, por muito que se olhe para ti de alto a baixo, e que se tente associar alguma coisa, são duas características que não encaixam contigo. Se encaixassem contigo, era preciso seres muito solitário para não tarda muito, estares à um ano, a acompanhar o meu dia-a-dia, em todas as trocas de palavras possíveis. E se fosses pedófilo, meu deus, que maneira tão subtil de o tentar fazer. Acho que nem um pedófilo, nem o solitário se davam a tanto trabalho. No nosso caso, as coisas poderiam acontecer de várias maneiras. Eu podia simplesmente identificar-te como um leitor (assíduo e pontual) do meu blog, e só por isso trocarmos de coisas que se baseassem nisso, como acontece com a maioria das poucas pessoas que vêm ao meu blog por gosto. Mas tu, mostra-te logo que era gosto, era hábito e muita vontade de me meter sempre bem-disposta. Contagiaste-me muito, mas mesmo muito, com a tua boa-disposição. E com o teu à vontade. E com a presença que ias marcando. E depois juntos, parecendo que não, já construímos qualquer coisa. Nada que vá para o recorde do Guinness nem para o Património da UNESCO, mas que com muitas pessoas não tenho conseguido, e aí, talvez a desculpa até seja, não estamos juntos todos os dias, porque certamente se assim fosse as coisas seriam totalmente diferentes, digo eu. Apesar de falar muito e muito contigo, não posso dizer que te conheço, mas sim que conheço a tua maneira de ser, comigo. Para te conhecer, é preciso muito tempo, e muitas maneiras de chegar até ti, e todos nós somos realistas ao ponto de dizer que por mais tempo que seja, para conhecer uma pessoa, nunca é o suficiente, nãoooo é? Mas hoje quando, parecendo que não, estivemos juntos, quase que tive a sensação de como se nos conhecêssemos à muito tempo, quando no fundo ainda só me habituei à tua companhia ao telemóvel, essencialmente. Mas como desde sempre, me deste um grande à vontade, e sempre me cativas-te com a tua maneira de ser, não tive medo, nem arranjei desculpas, para não desperdiçar uma “folga matinal de trabalho”, meter-me num comboio às 8 da manhã e às 9 da manhã, quando sei lá, podíamos nem sequer conhecermo-nos, ou podíamos ter combinado encontrarmo-nos sem ser com 9 ou 10 horas de antecedência, ou como quem diz, à última da hora, e quando sei lá eu podia dormir e descansar uma noite em paz em sossego (se não fosse o temporal que se fez sentir nesta madrugada), portanto, podíamos nem sequer ter a simples curiosidade de saber se tudo o que estava por trás do que se estava a construir eram as mesmas pessoas a quem conseguíamos associar certas e determinadas características, ao fim de algum tempo. Depois de ter estado 4horas e não sei quantos minutos, tive a sensação que não tinha passado de um daqueles encontros entre amigos, de quem não se vê assim, faz algum tempo. Quando no fim, tudo o que se tentava associar, encaixava que nem um puzzle.

1 comentário:

Mário Duarte disse...

Olá piolha!
Podia simplesmente responder a este post com um: “Fogo Daniela, não fosse este post sobre a nossa amizade e não me atreveria a lê-lo…é grande pa caraças.”
Mas para as mentes mais fechadas aqui deixo o meu ponto de vista que será mais ou menos do tamanho do teu post :)
As leis portuguesas têm na sua constituição alguns artigos que definem algumas idades para determinadas situações…idade para tirar a carta, idade para a reforma, idade em que atingimos a maioridade, entre outras…no entanto não há nada que defina a idade mínima para se ter uma relação de amizade…(era o que mais faltava!!! :) )
Quando começamos a falar não sabia muito bem a tua idade… talvez entre os 17 e os 21, pensava eu! Pelo que lia no teu blog e pelas poucas mensagens que trocávamos parecias ser uma caxopa com uma maturidade que deixaria algumas raparigas da minha idade com uma certa vergonha…e escrevias muito bem, o suficiente para pensar mais que muitas vezes que secalhar o que andava a fazer no meu blog era escrever para toscos lerem…
Mas o que interessa aqui era que afinal eras uma pitinha de 15 anos……”Ai meu Deus, é uma caxopa”
Recordo-me perfeitamente da primeira vez que falámos ao telemóvel, e da bebedeira que apanhadei nessa noite na Associação Académica de Coimbra, e da tua voz que era tudo menos tua…as conversas que tivemos entretanto já não as consigo lembrar todas, tantas foram as horas que passámos ao telemóvel. E as conversas que fomos tendo foram fortalecendo uma amizade que começou pequenina e que tem vindo a crescer…porque tu és uma pita com quem gosto de falar apesar desse mau feitio e apesar da idade.
Vejo-te agora mais como uma irmã mais nova, com os problemas próprios da idade…sim, eu realmente preocupo-me contigo e fico danado quando não estudas para os testes, quando te apaixonas por sacanas ou quando andas doente…a verdade é que a sacana da caxopa tem feito parte da minha vida nestes últimos meses e ando sempre preocupado em saber se andas a cuidar de ti.
Não é concerteza pedofilia (cruzes credo!!!), não será concerteza solidão…graças a Deus tenho muitos amigos, e graças a Deus és mais uma Daniela Graça :P jantaradas, bebedeiras e pessoas com quem falar vou tendo sempre…serás sim, sem a mínima dúvida, a amiga que me dá mais trabalho…xiça :) mas acredita, não me custa nada…
Infelizmente a sociedade tende a agrupar as pessoas por idades, não por ser a forma mais correcta de o fazer mas por ser a forma mais fácil…obviamente que não te ia dizer:”Apesar de gostar das nossas conversas parvas e de apresentares uma maturidade superior a muitas raparigas da minha idade, até completares 18 anos qualquer tipo de comunicação ou contacto entre nós será de todo impossível” ou “Todos os meus amigos têm de ter mais de 18 anos…logo, foste excluída”…não faz sentido absolutamente nenhum…
Sei que tens 16 anos, e por isso tenho tido sempre o cuidado de te respeitar em todas as conversas que tivemos...aliás, quem se pode queixar sou eu…faz hoje três dias que te vi a apreciar o rabo de uma menina bem jeitosa na estação do comboio e depois olhaste para mim como que a dizer “Então Mário, não olhas? És paneleiro ou quê?” Enfim, adolescentes rebarbados é o que não falta por ai…
Oxalá faças 18 anos rápido, para poder falar contigo de consciência tranquila sabendo que estou completamente em conformidade com a lei :) Até lá, cá estarei para nos rirmos, chorarmos, pa te ver dar cabeçadas, para me veres ser um engenheiro de sucesso, para te ralhar, para te moer o juízo, para irmos às compras, para o que der e vier…
E mais não digo…beijinhos grandalhões gafanhota…vê la se me ligas hoje a contar novidades ;)