sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

desnatal



Sabes, nunca fui passar férias à neve, nem à Serra da Estrela, nem a França, nem à Suiça, mas com um bocado de sorte, tive oportunidade de ter uma vaga ideia do que era acordar, olhar para a rua, e ver tudo branco.
Nunca atravessei Portugal para ir ter com a minha família, faço no máximo 22km para os poder visitar, não é que isso seja orgulho, mas quando vou lá e decido levar lá os meus amigos, tenho orgulho, em poder passar em todas as ruas e dizer que este e aquele são me isto e aquilo. E por mais desvios que tente fazer, não à rua que naquela aldeia não escape à minha família.
Nunca fui a destinos paradisíacos, nem nunca estive nos melhores e maiores monumentos do mundo, mas sinto-me grande, quando ao pé de muita gente posso deitar cá para fora, os sítios magníficos onde já estive em Portugal. Não só porque nunca tive a oportunidade de estar fora, mas sim porque acho que muita gente quer ir ver tudo o que é de magnifico lá fora, enquanto se esquece que temos muito mais valor que certos países.
E raros foram os anos em que tive um Natal a sério. Na minha memória só tenho dois ou três Natais a sério. Aquele que passámos em minha casa, que vieram os tios, os avôs, e as avós e aquele em que só faltava o avô paterno. A partir daí o Natal deixou, definitivamente de ser o Natal. Nunca houve espírito para o Pai que perdeu o Pai exactamente no dia 25 nem para avó paterna que perdeu o marido, fora as irmãs do Pai. Mas isso, por mais dor que possa trazer, não é desculpa para não viver o Natal. As irmãs também sentiram a dor, e sentem a falta e o Natal lá em casa é o que é. E se agora não sei o que é o Natal, pode ser que um dia, quando tiver filhos, essa seja uma das coisas que eu nunca tive mas que por nunca ter tido lhes quero dar. A eles e a mim. Sem querer desvalorizar as vésperas de Natal que tenho tido a oportunidade de passar, com e sem alguns elementos da família, nem o momento em que abrimos as poucas prendas antes da meia noite, nem os momentos pequeninos que quase me passam ao lado, como quem diz, sem sentir que "Uau, é Natal!". O Natal para mim, não é só "passar com a família cheios de amor e paz" e todos esses votos só porque "isso é que é o Natal", porque não é, faz simplesmente, parte do Natal. E por mais que a melhor prenda seja estarmos todos juntos, mais um ano, isso não chega. Porque há sempre uma discussão, momentos desagradáveis, uma presença de uma desunião familiar, que nos tira o pouco espírito natalício que restava.

7 comentários:

Lady me disse...

Ninguém tem um Natal perfeito todos os anos, acaba por faltar sempre alguém ou por haver alguém que faz com que seja mais um dia comum das nossas vidas. Podemos sempre é eternizar os pequenos momentos. Se os juntarmos todos, teremos um Natal completo dentro de nós.

Beijinhos*

Kikas disse...

um dia, haveremos de mudar o nosso natal :) força, querida, sei o que estás a sentir.

Mário Duarte disse...

Piolha, ainda vais ter durante a tua vida montes de bons natais...querias tudo bom era? :) Também já tive natais menos bons, ja tive natais maus, mas já tive natais muito bons e são esses que guardo na memória porque a vida é feita de altos e baixos e devemos levar os natais como levamos a vida...aproveitando os melhores momentos...vai correr tudo bem ;)

Beijocas muita muita boas

Pinkk Candy disse...

olá,
essa desunião familiar, se assim posso chamar, é que dá cabo do espírito do Natal! (...) tens que ter calma, agora já passou, mas o que eu acho que interessa mesmo, é que a família se dê bem no dia a dia, durante o ano todo e não só no dia de Natal, e isso infelizmente não acontece em todas as famílias.
enfim...não podemos escolher a nossa família, podemos um dia construir a nossa própria família e tentar fazer que seja diferente :)
kiss

Paulo Lontro disse...

Antes de mais concordo com o que escreves sobre Portugal.
Ao contrário de ti passei muito tempo fora de Portugal em muitos países, em trabalho, muito, e um pouco em férias também.
Portugal tem locais maravilhosos, assim o queiram defender.

Quanto ao Natal, penso que não há uma forma standard de o passar, de o sentir.
Para uns o Natal é um momento religioso muito importante, para outros é um momento de família (para muitos o único…) para outros ainda, é uma festa sem grande significado espiritual e muito significado material.
Cada pessoa tem o direito de viver estes momentos segundo os seus valores e crenças.

Compreendo bem o que escreveste, não por ter tido as tuas experiencias, mas porque são um exemplo de uma vida possível.
Tu não és responsável pelo passado, pelo que já não tens e querias ter, mas és responsável, porque o podes influenciar, pelo que podes vir a ter em Natais futuros.

Desejo-te que essa tua visão de Natal edílico, coerente com os teus valores de vida, seja atingida e que consigas materializar uma nova família e por isso um novo Natal.

Lady me disse...

Miminhos no meu blogue*

SaraSerrano disse...

Adoro, todo o blog, este texto esta genial.

(Vou seguir)