domingo, 1 de novembro de 2009

nunca aprendi francês



apesar da convivência com o irmão do meu falecido avô e de uns dos seus oito filhos e não sei quantos netos (porque mal conheço os filhos quanto mais os netos), gostava, gostava de os perceber e de falar como eles. Há para aí uns anos atrás, o francês irritava-me profundamente, achava o francês a língua mais estúpida (e alguns franceses também). Mas hoje não. Hoje acho-os um bocado estranhos porque ás vezes vejo cá com cada francês(como a bela da minha prima) que parece que não têm noção de que a palavra agricultura também existe em francês. Não sei em que região é que eles vivem, mas a sensação com que fiquei foi que nunca tinham visto nada disto. Eu ainda imaginei que na França não houvesse nada disto. Por momentos achei que na França era só laboratórios que produziam tudo, mas tudo, a partir de laboratórios. Porque com a cara que a minha prima fazia (e não tenho nada contra ninguém, simplesmente, não percebo) olhava para os pais dela a ripar, a escolher, a apanhar a azeitona. Sim, porque eu lá tive que mexer o meu rabiosque até à minha casa e ás minhas origens camponesas. Apesar de também quase nunca ter mexido uma palha no que toca a agricultura. Mas quando era pequena passei muito tempo a olhar e aprender com a minha família, no campo. Agora eles, saíram daqui com 5 anos (hoje já passam dos 30) e parecem umas almas raras. Mas contudo, acho-lhes imensa piada. A prima loira, elegante (então com aqueles não-sei-quantos- quilates de ouro ao pescoço) com o seu Jean-Claude (que quando saiu do seu audi me pareceu, à primeira vista, o George Clooney, mas só à primeira vista.) mas quando soube o seu nome ainda me perguntei 'Será que toda a mulher portuguesa quando se apaixona por um francês - por pura coincidência - o gajo tem que se chamar Jean-Claude?' - é só porque aconteceu o mesmo com a mãe de uma amiga minha. Não é nada contra, mas faz-me impressão, pronto. Gosto de trocar palavras que acabam por ser traduzidas que nos ligam uns aos outros, simplesmente porque vivemos num país diferente onde pouca coisa muda, para além da qualidade de vida, claro. No fundo a nossa família da parte materna foi dividida entre o francês e o português, como quem diz entre França e Portugal. Já que o meu tio, irmão do meu falecido avô (que esteve na França durante alguns anos) decidiu ir viver para a França quando eu ainda não era nascida. Mas que ao longo da minha infância, fui conhecendo. E ele não perdeu as origens. Quando vem cá fala o português. Mas irrita-me quando começa a falar para a minha tia em francês. Já parece os meus outros primos/tios da Bélgica da parte materna que quando estão cá ás vezes lá lhe dá um ataque para falarem francês uns para os outros. Parece que querem mesmo que ninguém os percebe. Faz criar um clima de segredos. Já sei, a culpa é minha. Bem que podia ter escolhido francês em vez de espanhol, mas naquela altura achava que o francês era uma porcaria e que se passasse algum tempo com a minha família que é 44% francesa e 56% portuguesa (mas que sabe mais de francês que português) acabava por aprender o francês, para o mínimo que ele me fosse necessário. Mas, epá fico impressionada com estas coisas, fico! E fico com uns convites para ir à França e com a convivência 'comprender o francês' como diz a minha prima com aquele sotaque nos r's. Eu sempre soube que pronto, a minha família paterna nunca foi de muitas falas para a parte materna, mas realmente, os primeiros escolheram a Bélgica e os segundos a França. No fundo vai tudo dar ao mesmo. Por incrível que pareça até falam da mesma maneira. Mas agora a sério, na França não deve haver muito de agricultura por causa das condições climáticas, por isso há, mas em menor quantidade, só em determinadas regiões (que não onde aquela parte da família mora) como Marselha, Bordéus, entre outros. Mas ainda consegui falar com o Jean-Cloude, quando ele falou em inglês, nada mau. Para além daquela ligação de palavras traduzidas.

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