quarta-feira, 8 de julho de 2009

meu porto de abrigo


Regressei do meu fim-de-semana na segunda feira, mas só hoje é que me deu vontade para escrever! Sabem que isto de apanhar sol, estar na piscina, ir até ali, visitar a família, aturar os miúdos pequenos, ouvir elogios, receber mimos de tudo o que é gente, passar um fim-de-semana no meu "porto de abrigo", que é a minha outra casa, onde sei que só as moscas, ou outros bichinhos é que me poderiam chatear, é chato, e cansativo.
Já para não falar que como é numa aldeia se virmos um carro a passar, ou um vizinho nos incomodar, ou por algum motivo tivermos de chamar a policia, é grave, meus amigos... Já para não falar que é raro e que deve de acontecer uma vez de quantos em quantos anos.
Então neste fim-de-semana até havia festa e sabem como estas festas são! Para começar 90% das pessoas têm mais de 40 anos (para não as excluir, porque a maioria mesmo tem mais de 60-70, mas pronto), depois se em 10% de juventude se encontrar alguém minimamente decente podem considerar um milagre, mas isto da população não é nada, quanto me refiro a uma aldeia linda, que ao seu redor tem casas fantásticas, reconstruídas, vivendas, e paisagens que não ficam nada atrás. Foi lá sim que cresci, e por muito agradável que seja o silêncio e o sossego deixam-me sempre com saudades de lá voltar. Mas de facto eu não vivo sem um hipermercado, uma farmácia, um café, um bar, um multibanco, umas lojas por perto. E se tivesse carta as coisas poderiam ser diferentes, mas acontece que AINDA não tenho.
Há coisas que não posso deixar de referir... De sexta a segunda, dormi com uma das minhas melhores amigas, tomei pequeno-almoço com uma das minhas melhores amigas, fui à festa com uma das minhas melhores amigas, passei com uma das minhas melhores amigas, apresentei a maioria da minha família a uma das minhas melhores amigas, cuidei de dois amores lindos e pequeninos com uma das minhas melhores amigas, desfrutei da piscina com uma das minhas melhores amigas, ri-me com uma das minhas melhores amigas, dancei com uma das minhas melhores amigas, desfrutei de paisagens e casas fantásticas, adoráveis e desejáveis com uma das minhas melhores amigas, apanhei banhos de sol com uma das minhas melhores amigas, fiz caminhadas com uma das minhas melhores amigas, apresentei a aldeia que me acolheu durante anos a uma das minhas melhores amigas, falei de cada momento, de cada história, de cada recordação a uma das minhas melhores amigas, vi um ouriço-cacheiro com uma das minhas melhores amigas e com o meu pai, comi uma refeição preparada pelo meu pai (atenção, em tantos anos, uma coisa inédita) com uma das minhas melhores amigas, bebi vinho-do-porto com uma das minhas melhores amigas, apresentei as poucas pessoas decentes a uma das minhas melhores amigas, passei 4 dias seguidos com uma das minhas melhores amigas. Foi bom, foi diferente. Apesar de não ser longe deste mundo real sempre deu para parar um bocado no tempo. De facto, os meus pais foram uns queridos. O meu pai que pronto se preocupou com o nosso jantar no domingo à noite (e que fez um arroz- oh maravilha! Tão bom como a da filha, mas com gosto diferente - Era capaz de me habituar aquilo), à minha mamy e à minha vóvó que praticamente fizeram a maioria das refeições, outra vez ao meu pai que nos andou a passear por arredores de casa, e a todas as outras pessoas que nos receberam com muitos sorrisos!
Sou miúda para lá voltar, sozinha, e tirar as minhas férias de tudo o que é sitio e gente porque de facto lá há qualquer coisa que nenhum outro sitio tem, ou que eu me aperceba que tenha. É sossego, é o silêncio, é os pássaros a cantar, é a natureza, são as casas, a minha casa, o medo dos bichos (repteis, principalmente), o deitar na relva, tudo isso me traz paz interior (que profundo! - só para vocês perceberem o quanto isto é doce). É que gostei, dei bem pela diferença.
Quando decido ir para os confins do mundo é óbvio que mesmo sendo bom não me aguento lá muito tempo, levo o portátil, tenho a televisão mas o entretenimento não é a mesma coisa. De modo que não me aguento lá muito tempo consecutivo, mas aproveito sempre ao máximo.

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